Vou começar do início de verdade. E o início é 1999.
Tinha uns 6, talvez 7 anos. Meu avô me levava na Leitura junto com meu primo mais velho, e a gente voltava pra casa com boosters e baralhos prontos de Pokémon debaixo do braço. Eu não fazia ideia do que estava segurando. Nem sabia que dava pra jogar com aquelas cartas. Mas lembro da pasta com minha coleção (que tenho até hoje), das trocas no recreio, daquela ansiedade de abrir o pacotinho sem saber o que viria.
Essa memória ficou guardada por uns 25 anos.

O reencontro (ou: como me enganei achando que ia só colecionar)
No final de 2024, amigos de grupos diferentes começaram a mencionar as “cartinhas de Pokémon”. Um assunto aqui, outro ali. Fui ler sobre, vi o quanto o tudo havia mudado, e o que me atraiu primeiro foi a ideia de colecionar de novo — só isso, colecionar. Jogar não estava nos planos.
Em uma viagem a São Paulo, passeando no bairro da Liberdade, entrei numa loja de TCG sem nenhuma pretensão, e saí de lá com duas Booster Box, da recém lançada coleção, Fagulhas Impetuosas. A justificativa oficial era que uma seria pra meu irmão de 6 anos — mesma idade que eu tinha quando comecei — e a outra seria minha, pra gente abrir juntos, como na infância.
Funcionou como desculpa.
A Vault e o momento que mudou tudo
Logo depois fui à Vault com dois amigos pra fazer umas trocas. Só que quando cheguei lá e vi a quantidade de gente jogando, as mesas cheias, a dinâmica das partidas — alguma coisa acendeu. Ainda sem saber as regras, sem ter deck, sem entender absolutamente nada do que estava acontecendo, eu estava completamente fisgado. Mas sabia que ainda não era a hora.
Esperei a rotação de abril de 2025 pra ai sim montar meu primeiro deck: e . Nas primeiras semanas? Saco de pancadas pra todo mundo, sem exceção. Mas isso não me desmotivou — pelo contrário, fui testando arquétipo atrás de arquétipo. Acho que testei todos os decks possíveis, incluindo alguns extremamente duvidosos. Assistia vídeos no YouTube de “esse é o melhor deck do meta” e — surpresa — nunca eram.
No meio disso tudo, dei uma pausa de dois meses por um motivo mais do que justo: me casei.
e a decisão de focar
De volta ao jogo, assisti ao Mundial en passant, sem entender tudo. Mas uma coisa me prendeu: a Gardevoir ex conseguia virar partidas que pareciam absolutamente perdidas. Aquilo me encantou. Ali tomei uma decisão que mudou minha trajetória: ia focar num único deck, do começo ao fim, sem pular pra próxima novidade.
De agosto até outubro de 2025, joguei bastante no Live, fui em alguns semanais, resultados ainda oscilando muito. Sentia que faltava alguma coisa — não era o deck, não era dedicação. Era aquele clique, alguém pra me mostrar as maldades e nuances do jogo de verdade.
Aí veio meu primeiro Regional, aqui em BH.
Ganhei as três primeiras rodadas, pra minha surpresa. Perdi as três seguintes e dropei. Mas juro que saí de lá motivado, não frustrado. Vi que tinha potencial real.
A virada de chave
Descobri o Metafy e como conseguia acesso aos jogadores profissionais. Me inscrevi no canal do Henry Chao, o mago da Gardy. Foi exatamente o que faltava. Didática absurda, entendimento de jogo fora do normal — assisti a tudo que consegui: aulas, lives, guias. O progresso não veio do dia pra noite, mas foi consistente e real.
Fui no meu primeiro Cup e passei pro top cut pela primeira vez (sem o Dyego Rathje na disputa, mas ta tudo certo). Pequeno? Pode ser. Mas senti que estava no caminho certo.
Uma aula com o vice-campeão mundial
Antes do segundo Regional, em Curitiba, tive a oportunidade de fazer duas ou três aulas particulares com o Goomy35 — Justin Newdorf. Sim, o cara que foi vice-campeão mundial. Ainda não sei explicar direito como uma pessoa consegue ter tanto entendimento do jogo assim, mas é impressionante. Ele me ensinou muito em pouquíssimo tempo!
E Curitiba confirmou o que eu já estava sentindo: com menos de um ano de Pokémon TCG, passei pro segundo dia de competição no Regional e terminei entre os Top 256. Voltei pra casa com a Booster Box de premiação e uma certeza de que estava competindo de verdade.

A last dance com Gardevoir
Com a Gardevoir prestes a rotacionar, ainda havia uma última chance com o deck. E o palco não poderia ser melhor: o Cup da Vault — a mesma loja onde, meses antes, eu tinha visto minha primeira partida de Pokémon TCG e ficado apaixonado pelo jogo.
O torneio estava cheio (dessa vez com o Dyego presente) e foi disputado do começo ao fim. Depois de partidas muito duras, 2 ou 3 mirrors, passei pro top cut e, no final, fui campeão.
O playmat está aqui, guardado com muito carinho. Pra mim é mais do que um prêmio — é o resultado de uma jornada que começou numa livraria em 1999 e que, de alguma forma, voltou a fazer todo sentido 25 anos depois.
Hoje posso dizer que sei jogar mais ou menos. Mas o que essa jornada me deu de mais importante não foi o título — foram as amizades, a comunidade, e a alegria de ter um hobby que genuinamente me faz bem.
Obrigado a todo mundo da comunidade. Isso aqui é especial de verdade.
