Um dos motivos de eu ter voltado com o blog em pleno 2026 foi a falta que eu sentia de estudar o metagame de verdade. Ver mais partidas, acompanhar torneios grandes, entender por que alguns decks crescem, por que outros somem e tentar enxergar o competitivo com um pouco mais de calma.
Por isso, hoje eu quero falar sobre o Regional de Praga, que aconteceu nos dias 25 e 26 de abril de 2026 e marcou o primeiro grande torneio do formato pós-rotação. E, sendo bem sincero, talvez tenha sido um dos torneios mais aguardados dos últimos tempos. Depois de tantos testes, teorias e palpites, finalmente dava para ver o que estava funcionando de verdade.
Eu tinha um certo medo desse novo formato. A gente vinha de um ambiente com , e várias cartas que exigiam muita habilidade para pilotar bem os decks. Nos meus primeiros testes pós-rotação, confesso que achei o formato bem estranho. Mas depois que virei a chavinha de que não existe mais Iono, tudo ficou mais claro. O jogo mudou, e tudo bem. Agora a ideia é adaptar o plano de jogo, entender as novas formas de criar pressão e aceitar que nem todo deck precisa atacar a mão do oponente para ser forte.
O próprio deck campeão mostrou isso. A lista não tinha disrupção de mão, e mesmo assim venceu o torneio. Isso, para mim, é um dos pontos mais interessantes de Praga: o formato pode estar diferente, mas ainda existe jogo, decisão e espaço para adaptação.
Antes do torneio, todo mundo já esperava uma enxurrada de . E foi exatamente o que aconteceu. Era o deck mais seguro para começar o formato: consistente, forte contra muita coisa e com várias formas diferentes de ser construído. No começo do formato também se falou bastante de , mas ele não parece ter sustentado o mesmo hype. Já o Dragapult mostrou que, mesmo quando o meta tenta se preparar para ele, ainda consegue encontrar caminhos diferentes para jogar.
Mas este artigo não vai ser só uma análise fria de metashare (a fatia que cada deck ocupa no metagame) e resultado.
Eu quero tentar fazer uma parada um pouco diferente. Cresci vendo meu pai assistir Alterosa Esporte. Quem é de Minas provavelmente lembra das discussões entre Dudu Galo Doido e Serginho do Cruzeiro. A ideia aqui é trazer um pouco dessa energia para o Pokémon TCG: comentar partidas, olhar algumas decisões importantes e discutir linhas de jogo sem deixar o texto pesado ou chato.
Quero deixar uma coisa clara desde o começo: analisar uma decisão não é a mesma coisa que chamar alguém de ruim. Tomada de decisão é diferente de missplay (errar a jogada por descuido ou desconhecimento da linha certa). Às vezes o jogador enxerga uma linha de vitória, escolhe seguir por ela e isso não faz dele um jogador pior. Pelo contrário, é justamente esse tipo de escolha que torna o jogo interessante.
Então a proposta aqui é simples: eu assisti algumas partidas de Praga, fiz minhas anotações e vou compartilhar o que eu pensei em certos momentos. Não quer dizer que estou 100% certo, nem que a ideia é crucificar quem jogou. É só uma forma de estudar o jogo junto, como se a gente estivesse comentando a partida lado a lado.
Metagame do Day 1
Antes de falar das partidas, acho que vale olhar o metagame do Day 1 primeiro, porque ele já conta bastante coisa sobre o formato.
Na transmissão oficial da Pokémon, o gráfico já mostrava o que todo mundo esperava: muito Dragapult. Só que ali ele aparecia separado por versões. Tinha Dragapult ex com 15% e Dragapult ex / com 10%.

Quando a gente olha no Limitless com as variações agrupadas, a leitura fica mais direta: Dragapult foi 30,58% do Day 1.

Isso é muita coisa.
Não era só o deck mais jogado. Era o deck que todo mundo precisava respeitar na hora de escolher o que levar para Praga. Se você não estava jogando de Dragapult, precisava pelo menos ter uma resposta minimamente decente para ele.
E, sinceramente, isso não me surpreendeu tanto. Dragapult parecia mesmo o deck mais seguro para começar o formato. Ele é consistente, bate bem, espalha dano, tem várias versões possíveis e não morre fácil só porque o meta tenta mirar nele.
Mega Lucario, com 7,02%, e , com 6,07%, também fizeram sentido para mim. Os dois já vinham sendo bastante comentados antes do torneio e eram escolhas naturais para um começo de formato, principalmente quando muita gente ainda estava tentando entender o que era real e o que era só hype.
O que me surpreendeu mais foi sendo o terceiro deck mais jogado, com 6,29%. Eu esperava ver o deck em Praga, claro, mas não tão alto assim. Talvez muita gente tenha enxergado nele uma boa forma de encarar Dragapult, ou pelo menos uma opção que não ficava tão perdida nesse meta inicial.
No fim, o Day 1 deixou uma primeira leitura bem clara: o formato começou girando em volta de Dragapult. O resto do torneio ia mostrar se essa escolha era só segurança de começo de formato ou se o deck realmente estava um degrau acima dos outros.

















