Fala, galera. É o José Iuri aqui, e nesse artigo eu vim contar como foi meu Regional de Recife.
Eu terminei em 176º lugar de 1074 jogadores, jogando de Mega Chandelure ex, no Regional de Recife, no último final de semana (3 e 4 de outubro). Pra mim foi um resultado razoável. Cheguei no Dia 2, mas esperava ter ido melhor lá. Vou mostrar a decklist mais pra frente e vocês vão entender por que eu escolhi esse deck, como foi a preparação, os momentos que decidiram o torneio e o que eu acho que esse regional diz sobre o formato.
Por que escolhi Mega Chandelure ex
Quem me acompanha sabe que eu sou jogador de Controle. Na última season eu joguei praticamente tudo de Pidgeot Control, com duas exceções: em Curitiba levei Zoroark e em Campinas, Dragapult. Controle é o tipo de deck que eu gosto e me divirto jogando, e eu sempre achei que o fator surpresa ajuda bastante em torneio grande.
Quando comecei a pensar em Recife, já estava decidido: ia levar um deck de Controle. O que me fez escolher o Mega Chandelure ex foi a confiança. Eu me sentia bem contra o Dragapult e todas as suas sub-variantes, que é indiscutivelmente o melhor deck do formato, e ainda tinha planos sólidos contra Alakazam, Praça de Festas, Mega Excadrill e os outros decks que eu esperava encontrar.
Na preparação, a diferença foi que eu treinei sozinho. Meus parceiros mais próximos de treino, o Álvaro Miguelino e o Tiago Marins, estavam decididos a ir de Zoroark ou Dragapult, então não fazia sentido testarmos juntos. Em setembro eu usei a ladder como ferramenta principal pra lapidar a lista e testar as matchups.
Foi uma ótima escolha. Jogando muitas partidas por dia, eu conseguia enfrentar uma variedade grande de decks e ver na prática o que funcionava e o que não funcionava na minha lista. Além de servir pra testar, a ladder também confirmou minha confiança: eu estava obtendo bons ratings de Elo com o deck e cheguei a um pico de 1890. Isso me deu a segurança de que o Mega Chandelure ex não era só uma ideia bonita no papel e que ele competia de verdade no formato. Cheguei em Recife confiante no deck e no plano de jogo.
A decklist
Do mesmo jeito que outros reports, não vou passar carta por carta. Vou comentar as escolhas que mais importam e por quê. A lista completa fica no fim do bloco.
A linha de Chandelure
A peça fundamental do deck, e o conceito que faz tudo funcionar, é o . O motivo está na habilidade Binding Flame: o custo de recuo do Pokémon Ativo do oponente aumenta em um para cada Mega Chandelure ex que eu tenho em campo. Quanto mais cópias eu coloco, mais caro fica pro oponente sair da posição.
Na prática, os Pokémon que ficam na frente simplesmente não recuam, ou então o oponente gasta uma quantidade enorme de recursos pra conseguir recuar. E esses recursos, na maior parte dos decks, são indispensáveis: energias, cartas de Treinador e turnos que ele precisava usar pra montar a própria estratégia. Cada recuo forçado é um turno em que o oponente não está fazendo o que o deck dele foi feito pra fazer. É assim que eu prendo o adversário e controlo o ritmo do jogo.
Chandelure baby e a Alluring Light
Além do Mega, joguei com 4 cópias do baby, e é aqui que o deck fica mais interessante. A habilidade Alluring Light faz com que eu e meu oponente compremos uma carta. À primeira vista parece contraintuitivo dar recurso pro adversário, mas ela trabalha a meu favor de duas formas:
Ela acelera a minha condição de vitória. Cada carta que o oponente compra a mais o aproxima do fim do baralho, então a Alluring Light encurta o caminho até a vitória por deck out em jogos longos.
Ela alimenta o meu ataque. O Mind Ruler causa 30 de dano para cada carta na mão do oponente. Quanto mais cartas ele tiver, mais forte eu bato: com 11 cartas na mão dele, o ataque chega a 330 de dano. Ou seja, o recurso que eu dou é exatamente o que cria uma ameaça real de nocaute em Pokémon de HP alto.
O resultado é que o oponente fica numa situação ruim de qualquer jeito. Se ele guarda cartas, aumenta o dano que recebe. Se ele joga tudo pra diminuir a mão, gasta recursos que talvez precisasse guardar, e ainda está preso na frente com um recuo caro.
O Lampent e o Spreading Light
A peça que costura toda a linha é o , e o motivo está no ataque Spreading Light: ele coloca até outros 3 Lampent diretamente no banco. Com isso eu monto a base do deck de uma vez, sem depender de ir evoluindo a partir do Litwick.
O ganho real é o espaço. Como o Spreading Light me entrega vários Lampent de uma só vez, consigo ter em campo tanto o Chandelure quanto o Mega Chandelure ex ao mesmo tempo, sem que eles briguem por vaga no banco. Cada um faz o seu papel: o Mega prende o Pokémon Ativo do oponente com o Binding Flame, e o Chandelure puxa recurso com a Alluring Light e ameaça o nocaute com o Mind Ruler.
No total, a linha principal ficou em 4 Litwick, 4 Lampent, 4 Chandelure e 3 Mega Chandelure ex. São 15 cartas dedicadas a uma única família evolutiva, o que mostra o quanto o deck gira em torno dela.
As demais peças de controle
Além da linha de Chandelure, o deck tem um conjunto de cartas que fecham as saídas do oponente. A ideia é simples: de nada adianta prender o Pokémon da frente se o adversário tem um jeito de contornar isso.
: move energia de um Pokémon para outro. Eu usava isso pra garantir que o Pokémon da frente do oponente nunca conseguisse ser energizado, deixando ele preso e sem poder atacar.
: traz um Pokémon do banco do oponente para o campo ativo. Com isso eu prendo outro Pokémon sem recursos, e o oponente precisa lidar com um novo problema enquanto o recuo continua caro.
: evita habilidades que o oponente usaria pra se recuperar ou acelerar a estratégia, como as do e do .
: garantia que a linha de não pudesse desaparecer de campo, impedindo o Dusknoir do oponente de se nocautear pra usar o efeito dele. Isso tirava do adversário uma jogada muito comum em decks como o Dragapult.
: faz com que eu e meu oponente compremos 3 cartas, acelerando o jogo. Isso foi especialmente útil contra o , porque ele não recicla a mão. Com cada compra extra, o baralho dele acabava mais rápido, e eu conseguia vencer por deck out antes de ele pegar os 6 prêmios.
Juntas, essas cartas transformam o Binding Flame de uma habilidade isolada em um sistema completo: o oponente fica preso, não consegue energizar, não consegue usar os ataques de que depende e ainda perde as saídas que normalmente teria.
A consistência: Hilda e a Energia Telepática
Um deck com uma linha evolutiva grande como a minha precisa de consistência, e ela vinha de um combo de duas cartas.
A primeira é a , que busca as evoluções que faltam em cada turno, seja o Lampent, o Chandelure ou o Mega Chandelure ex, e ainda traz junto a . Uma única carta resolvia duas necessidades do turno: a evolução e a energia.
A segunda é a própria Energia Telepática, que funciona tão bem porque a maioria dos meus Pokémon Básicos são do tipo Psíquico. Ao ligá-la da mão a um Pokémon Psíquico, ela coloca até 2 Pokémon Básicos Psíquicos do baralho direto no banco, e isso me deixava montar a base do deck quase sem esforço.
Juntas, as duas faziam a engrenagem rodar: a Hilda trazia a evolução e a energia, e a Energia Telepática espalhava os básicos pelo banco, deixando o terreno pronto para o Lampent e o Spreading Light.




















