Fala, galera. É o Wallysson aqui, e nesse artigo eu vim contar como foi meu Regional de Campinas.
Eu terminei em 210º lugar de 1725 jogadores, jogando de , no Regional de Campinas, dia 16 de maio. Pra mim foi um resultado bom, é onde o deck e eu conseguimos chegar. Não escrevi mais cedo porque passei mal no torneio e levei alguns dias pra recuperar. Vou mostrar a decklist mais pra frente e vocês vão entender por que eu escolhi esse deck, como a gente se preparou, os momentos que decidiram o torneio e o que eu acho que esse torneio diz sobre o formato.
Tem algumas histórias no meio do caminho que valem ser contadas com calma quando chegarem. Algumas legais, outras nem tanto. Mas vamos do começo, da preparação.
Por que escolhi Garchomp pra brigar com Dragapult
Eu peguei Garchomp já no anúncio da rotação. Pra mim ele era uma máquina. Tem 400 HP, sai fácil do Carimbo da Injustiça porque com uma energia eu já estava batendo, enchendo a mão de carta pra continuar jogando. Sem contar que o setup pedia só um Gabite em campo pra fazer a configuração do jogo tranquilo. Essa era a ideia, deck de tiozão.
Tinha outra parte da decisão. Eu não gosto de jogar com o melhor deck do formato. Dragapult era a escolha óbvia e responsável. Mas eu não queria jogar com ele, eu queria jogar contra ele. E sentia que o Dia 2 ia premiar quem fizesse isso.
Estudei os regionais de Los Angeles e de Praga (a gente já tem report dos dois aqui no site, vale a leitura pra quem não acompanhou). Joguei pra caramba contra Dragapult e treinei com os amigos em casa na semana antes. Tava com uma win rate absurda contra ele. Cheguei em Campinas na quinta-feira, descansei, ajudei os meninos. No dia anterior, o Carlos Reis mudou pro Garchomp em última hora. Eu e o André Porto já estávamos 100% com a escolha. Então minha aposta era ganhar de Dragapult.
A decklist
Não vou passar carta por carta. Vou comentar as escolhas que tomei e por que tomei. Lista completa no fim do bloco.
A linha de Roserade que escolhi foi 3 Cynthia's Roselia e 3 Cynthia's Roserade, mais 2 Suplemento Premium Pro. A versão inicial era 4-4. Cortei uma Roserade primeiro, depois uma Roselia, porque precisava de espaço na lista. Os dois Suplementos entram nesse vão. O Suplemento substitui a função da Roserade quando ela é nocauteada. Em vez de montar outra Roserade pra somar +30 no Garchomp, eu jogo Petrel pra usar ou buscar o Suplemento, e seguro o ritmo sem entregar prêmio fácil pro Dragapult.
Na linha de suportes fui de 4 Team Rocket's Petrel, 4 Lillie's Determination e 1 Juiz. Escolhi Petrel porque ele não descarta a mão, diferente do Talento do Lauro, que estava bombando nas listas. Perder cartas que podiam ser importantes no fim da partida era complicado demais pra mim. Ele só busca a peça que eu quero, ou deixa pra usar no próximo turno. Dei muito Petrel pra fazer o oponente achar que eu ia jogar Juiz logo em seguida. Quando ele se preparava pra isso, eu já tinha Boss's Orders na mão pra puxar a partida pra outro lado. O Juiz fica ali justamente pra vender essa ameaça e pra não deixar o oponente combar tudo na mão.
A Maca Noturna foi uma das peças centrais do meu deck. Não sei como o pessoal de Garchomp jogou sem ela. Pra mim ela foi mega importante. Toda partida que um Pokémon meu era nocauteado cedo e tinha uma cópia dele nos prêmios, ela me devolvia o bicho pro jogo. Ela também encaixava com Petrel: dou Petrel, busco a Maca, e ela pega a energia ou o Pokémon que faltava pra seguir o flow.
O Doce Raro foi muito bacana de usar nesse deck. Quando eu conseguia montar um Garchomp já no T2, o jogo mudava de cara: a partida acabava antes do oponente se armar. Quando consegui fazer isso, não perdi nenhuma vez. É muito broken você colocar um Pokémon de HP alto batendo 100 ou 130 e enchendo a mão logo no começo do jogo. Sem contar que, se você pegasse um deck mais rápido e perdesse alguns Gibles, ainda tinha resposta pra voltar pro jogo.
A Floresta da Vitalidade foi a carta da virada na win-and-in. Conto a jogada inteira mais pra frente. Coloquei Switch no lugar do Surfista porque combinava mais com o Petrel. Eu queria usar a substituição naquele turno mesmo, não no próximo.
Por fim, as 4 Rocky F Energy especiais. Elas brilharam contra Alakazam e contra o dano no banco do Dragapult. Peguei dois jogos contra Alakazam no torneio e a energia salvou os dois.
Lista completa:
standardPokémon TCGcompetitivoPós-rotação
Decklist
TCMG Top CutCopiar
Pokémon18
1Cynthia's Spiritomb
3Cynthia's Roserade
4Cynthia's Gible
4Cynthia's Gabite
3Cynthia's Garchomp ex
3Cynthia's Roselia
Trainer34
1Rare Candy
3Fighting Gong
2Premium Power Pro
1Night Stretcher
3Cynthia's Power Weight
1Judge
4Buddy-Buddy Poffin
1Forest of Vitality
1Unfair Stamp
4Team Rocket's Petrel
4Poké Pad
4Lillie's Determination
4Boss's Orders
1Switch
Energy8
4Basic {F} Energy
4Rocky {F} Energy
Total: 60 cards
O metagame que a gente esperava
A gente foi pra Campinas com mapa do meta na mão. Dragapult dominante, Mega Lopunny ex em ascensão. A gente não estava despreparado dessa vez.
Acho que a única coisa que a gente não estava esperando era o time argentino atrás de Milotic na noite anterior, pra montar o Crustle que tinha bombado no X. Não valia a pena techar pra isso naquela hora.
A parte boa é que eu tava muito confiante pra esse torneio. Cheguei preparado pra todos os matchups, bons ou ruins, e isso me dava uma confiança absurda.
As partidas que importaram
Em vez de cobrir match por match, vou contar os momentos que decidiram o resultado.
Minha run no Regional de Campinas.
As duas derrotas do Dia 1 foram tranquilas de aceitar. Os dois eram decks de planta, fraqueza do Garchomp. Faz parte. A primeira foi contra Festival Lead, one-prize ainda por cima. Eu poderia usar Relicanth pra copiar os ataques dos Pokémon evoluídos, e olhando agora até fazia sentido, mas naquela hora preferi aceitar a derrota e seguir tranquilo.
A segunda foi o Crustle do Fabrizio Bellucci, exatamente o deck que o time argentino estava procurando na noite anterior. Não teve como ganhar.
Veio o empate que doeu. Honchkrow e Porygon2 do Team Rocket. A partida é boa pro Garchomp porque eles precisam descartar muito supporter pra chegar no HP do bicho, e o Porygon2 ainda quer quase todos os supporters no descarte pra fechar o jogo. Eu perdi a primeira e a série se estendeu muito. Olhando agora é fácil: eu tinha que ter concedido a primeira mais rápido pra tentar jogar a terceira. A segunda eu ganhei tranquilo. Empatei, misplay minha, era a partida que eu deveria ter ganho. Acontece, mas dói.
A partir da quarta rodada eu comecei a suar frio. Pus a blusa, suei mais. A gente acha que foi sushi de procedência duvidosa do dia anterior. Cinco pessoas da casa de nove comeram aquela comida japonesa, e as cinco passaram mal. Eu fiquei muito ruim. O Rafael Salazar, médico e dono da loja Stop, me deu vários remédios. Sem ele eu teria dropado (saído do torneio antes do fim), com certeza. Fica registrado meu obrigado pro Rafael, pro André, Junão e pro meu time. Os caras seguraram meu corpo de pé no torneio.
Daí toda rodada eu falava: "agora eu dropo". Toda rodada eu ganhava. Partida por partida, fui chegando até a win-and-in, a partida que separa quem entra no Dia 2 de quem fica de fora. O oponente era Dragapult. Caralho. A aposta que eu vim fazer em Campinas era exatamente essa partida.
A partida virou no detalhe. O oponente tinha limpado todas as minhas Roserade ao longo da série, e eu cheguei no turno final com só um Garchomp na mesa e o banco vazio. Pra fechar o nocaute eu precisava de dois modificadores de dano. Já tinha usado um Suplemento Premium Pro, mas tinha outro na mão, e a Floresta da Vitalidade estava em campo. Dei Team Rocket's Petrel, peguei a Maca, usei a Maca pra voltar Roselia, joguei Poké Pad pra buscar Roserade. Coloquei Roselia no banco e evoluí na mesma jogada por causa da Floresta da Vitalidade. Somei usando o segundo Suplemento, os dois modificadores entraram juntos. 320 de dano, nocaute. Foi a Floresta que ganhou a partida. Sem ela, e sem o oponente estar controlando o teto de dano que ele achou que eu tinha, não tinha como. Fechei 3-0 contra Dragapult no torneio, partida por partida.
Aí o André chega. "Adiantaram a primeira partida do Dia 2." Era pra ser amanhã de manhã, mas trouxeram pra ainda hoje. Tirei força do além e fui jogar contra Mewtwo Rocket. Ganhei.
Eu fui dormir no sábado às dez da noite. Liguei pra minha namorada, expliquei a situação, e apaguei.
Acordei no domingo um pouco melhor, mas o corpo ainda penava. Joguei o Dia 2. Mega Lopunny ex: ganhei rápido e fui pro banheiro vomitar. Era esse o nível que eu estava sentindo. Absurdo, absurdo, absurdo. Mas já teve top.
O deck campeão e os destaques do torneio
Agora que falei do meu torneio, vale olhar o que aconteceu na frente.
Matias Matricardi ganhou em Campinas com Hydrapple ex mais Ogerpon ex. Back-to-back depois de Curitiba, e que torneio absurdo ele fez. O deck tem uma partida muito legal contra Dragapult, e eu já achava ele forte, mas não a ponto de ser campeão assim, dessa forma. Parabéns demais pro Matias.
Pra mim o segundo destaque do dia foi o Gustavo Wada em 39º lugar com Yanmega ex. O Wada montou um deck criativo: Yanmega ex com hammers (itens que descartam energia do oponente, tipo Martelo Esmagador) e Ventilador Portátil, item que quando o Pokémon adversário ataca devolve a energia pro banco. Plano: desmontar a aceleração de energia do Dragapult turno a turno. O conceito é bom, mas o resultado pra mim é mérito do Wada. Cara é um jogador absurdo, pega qualquer lista e entrega.
E o Augusto Lespier chegou em 16º com Slowking, deck completamente fora do meta. A galera tinha tirado Shaymin das listas, e o Lespier soube pegar essa brecha. Jogou muito bem.
Utrecht no mesmo dia: o anti-Dragapult coroou os dois lados do mundo
Enquanto a gente jogava em Campinas, na Europa rolava o Regional de Utrecht. Mesmo fim de semana, mesma rotação de cartas.
Campeão de lá: Miloslav Posledni, da República Tcheca, com Mega Lopunny ex. Deck bolado pelo Tord Reklev especificamente pra atacar Dragapult de frente. O Miloslav pegou doze Dragapult no torneio inteiro. Doze.
Pensa nisso. Em Campinas, o campeão jogou anti-Dragapult com Hydrapple ex mais Ogerpon ex. Em Utrecht, foi a vez do Mega Lopunny ex. E o Mega Lopunny ex apareceu nos dois torneios: uma das maiores conversões em Campinas, campeão em Utrecht. É o tipo de coincidência que para de ser coincidência.
Os dois Regionais do dia premiaram quem foi olhar pro melhor deck do formato e falar "eu não vou jogar isso, eu vou jogar o que mata isso". A leitura que eu fiz pra Campinas, sozinho, com o Garchomp, era exatamente a leitura que o mundo competitivo inteiro estava fazendo na mesma semana. Eu não estava louco. O formato pedia anti-Dragapult, e quem ouviu levou troféu.
O que esperar dos próximos torneios
Esse formato tem sido interessante demais de analisar. Toda semana tem algo novo, nem que seja uma versão diferente de Dragapult. Mas eu tenho visto a galera inventar deck novo, melhorar deck antigo, achar tech. Isso é muito legal. Sendo sincero, não acho que seja o melhor que a gente já jogou, mas quando dá pra dar counter de verdade no melhor deck (como Hydrapple ex mais Ogerpon ex e Mega Lopunny ex mostraram nesse fim de semana), o jogo fica muito mais respirável.
Próximos torneios vão ser maneiros. Chaos Rising entra pro competitivo daqui a duas semanas, e eu quero voltar aqui pra ver se a coleção muda alguma coisa no que a gente acabou de ver em Campinas e Utrecht. Também quero escrever um guia técnico do Garchomp, porque eu jogaria essa mesma lista de novo, com a mesma decisão de tomar Dragapult de frente.
Pra fechar: não é o 210º de 1725 que eu levo daqui. É não ter dropado mesmo passando muito mal. Esse troféu invisível eu carrego comigo.