Fala, galera. É o Wallysson aqui.
O site chamava pokemontcgmg.com.br, e a gente perdeu o domínio.
Eu fui atrás dele pra escrever este artigo. O Wayback Machine tem ele no ar de maio de 2013 até abril de 2018, e depois disso nada. A página da Liga TCMG no Facebook continua no ar, e hoje o que cai lá vem do que a gente posta no Instagram. O nome sobreviveu, o site não.
Aí eu abri aquela última captura, de 14 de abril de 2018, e levei um susto com o tamanho do que a gente tinha construído. O menu inteiro ainda está lá: Análise de Decks, Carta da Semana, Hall da Fama, Reports, How to Beat, Pokémon 101, Regras. Tinha até um Meta! PodCast. Tinha Ranking BH com temporada atual, 2017, 2016 e 2015, histórico de pontos de cada uma, resultados de League Cup separados por Spring Series e Winter Series. Tinha um "Quem Somos?" e uma Caixa TCMG. Tinha até login.
Nada disso existe mais. E o que a gente fazia ali, sem ferramenta nenhuma, era metagame do Brasil inteiro no Google Docs, na mão, torneio por torneio. O ranking eu montava com a ajuda do Leozinho, a lenda viva. Dois caras numa planilha, contando ponto por ponto.
E então eu cliquei no Ranking BH de 2015 pra ver se ainda carregava. Carregou.

Primeiro lugar: Dyego Rathje, 108 pontos. Segundo: Wallysson Lima (SonSon), 96.
Ontem, 31 de agosto de 2026, o ranking deste site aqui fechou a primeira temporada dele.
O primeiro lugar é o mesmo cara.
Onze anos separam esses dois títulos, e no meio deles tem um domínio perdido e um pedaço da história da nossa cena que foi embora junto: resultado de torneio, texto, quem jogou o quê, quem ganhou. Um site que ficou cinco anos no ar apagado porque um domínio venceu.
Então quando eu digo que a TCMG Top Cut é uma segunda tentativa, é literalmente isso: a ideia tem treze anos. O que mudou foi a ferramenta.
Este artigo é sobre ela: de onde ela veio, o que ela já consegue fazer, o que ainda falta, e o convite pra você entrar na próxima temporada.
Ele voltou dentro de um desafio de trabalho
A TCMG Top Cut não nasceu de um plano de negócio. Nasceu de um desafio interno onde eu trabalho: usar o Ubersuggest, a ferramenta de SEO com que eu mexo todo dia, pra aprender construindo um site do zero. Não um site de exemplo: um site real, disputando busca com todo mundo.
Eu não precisei pensar no tema nem por um minuto. Eu já sabia qual site eu queria fazer de novo.
E tem uma coincidência que eu só descobri agora, escrevendo isso. O último registro do site antigo no Wayback Machine é de 14 de abril de 2018. O primeiro torneio publicado aqui é de 7 de abril de 2026. Oito anos de diferença, o mesmo mês. Eu juro que não planejei.
Aí foram muitas noites sem dormir. Eu peguei o melhor de tudo que já existe no Pokémon TCG, olhei o que cada site e cada ferramenta faz bem, e fui juntando num lugar só, com cara de Minas. Ouvindo as pessoas, porque não tem como acertar um site de comunidade decidindo tudo sozinho no escuro.
No fim do desafio, eu fiquei em segundo lugar, com um site de quatro meses de vida, disputando com sites que já tinham anos de conteúdo acumulado.
Eu sei muito bem o que produz esse resultado. Não fui eu sozinho na frente do computador. Foi gente compartilhando no grupo, gente procurando no Google o resultado do torneio de sábado. Esse segundo lugar é de vocês também.
O que a TCMG consegue responder hoje
Em abril, se você perguntasse na cena de Minas quantos torneios rolaram no mês passado, ninguém sabia. Quem está jogando melhor, ninguém sabia. Qual deck estava aparecendo mais, ninguém sabia, tinha achismo de grupo. A informação existia espalhada em print de chave, planilha de organizador e memória de quem estava lá. E print, planilha e memória somem, exatamente como sumiu o TCMG antigo.
Hoje o site responde, e as respostas são essas.
Rolaram 122 torneios entre 7 de abril e 30 de agosto, todos aqui, com chave, mesa por mesa e standing final. E passaram por eles 424 pessoas diferentes.

Repara no pulo de agosto, e repara também na diferença entre jogador e participação, que é a conta que mais se confunde por aí.
O ranking fechou com o Dyego Rathje em primeiro, 1284 de Elo, o Álvaro Miguelino em segundo com 1281, e o Hudson Matheus em terceiro com 1226.
Três pontos separando o primeiro do segundo. E dá pra ver como cada um chegou lá, que é a parte que eu não conseguiria te contar em abril. O Dyego jogou 46 partidas e perdeu cinco. O Álvaro jogou 189, quatro vezes mais, e sustentou quase o mesmo Elo. Duas temporadas completamente diferentes terminando no mesmo lugar.

O Dyego chegou nesses 46 jogos porque virou pai da Maria nessa temporada. Ele é o novo pokepai da cena, e quem já teve recém-nascido em casa sabe o que acontece com a sua agenda de torneio. Apareceu menos, perdeu quase nada, e agora vai dar uma pausa. Pausa, não parada.
Onze anos atrás ele tinha 108 pontos e o primeiro lugar de um ranking que eu montava numa planilha. Agora ele tem 1284 de Elo e o primeiro lugar de um ranking que se calcula sozinho, e que você pode abrir inteiro aqui.
E tem uma coisa de 2015 que não estava na nossa planilha: no mesmo ano em que ele ganhou aquele Ranking BH, o Dyego foi campeão do Nacional.
Não tem nada mais justo do que o primeiro campeão desse site ser ele. De novo.
E não é só ele. Eu fui olhar aquele top 8 de 2015 nome por nome, e a maior parte daquela turma ainda está aqui.
O Dyego, campeão nos dois. O Alex Oliveira, que era o terceiro e hoje escreve no site. O Gustavo Daniel, o Feral, que é o que mais apareceu em torneio nessa temporada e que assina com o mesmo apelido de onze anos atrás. O Renato Christian, que foi morar em Brasília e por isso aparece pouco no nosso ranking, mas continua jogando por lá. E eu.
O site sumiu por oito anos e essa turma nunca foi embora. Isso é a coisa mais bonita que eu descobri escrevendo este artigo, e ela não estava em nenhum número: estava na lista de nomes.

O metagame também virou coisa que dá pra olhar, e isso é 100% mérito de vocês: 1.698 das 2.677 participações estão com o deck marcado, ou 63%. Cada uma é alguém que entrou aqui e disse o que jogou.
Tem a camada de cima disso, que é a decklist inteira, as 60 cartas. Foram 165 decklists enviadas pelos próprios jogadores. Decklist é o dado mais chato que existe de conseguir, porque não tem como automatizar, alguém tem que sentar e digitar. Só o Álvaro mandou 38, quase um quarto de tudo, e o José Iuri mandou 14. Eu mandei 9, e eu sou o dono do site. Se algum número de deck aqui te parecer confiável, tem trabalho manual de gente da comunidade atrás dele.
Deu pra ver também quem sustenta a cena. As lojas com mais acesso foram Vespa TCG com 2.113 visitas, Dimensão Alternativa com 2.038 e Stop TCG com 1.877, seguidas por Vault of Cards com 1.290, For Fun Arena com 680 e a UG Card Shop com 299. Essa última tem graça: o ranking de 2015 tinha uma coluna inteira só pra contar pontos de campeonato da UG Card Shop. Onze anos depois ela ainda está no ranking de lojas. A distância entre a primeira e a terceira é de 11%. Eu abri esperando encontrar uma loja dominando e as outras brigando por sobra, e não é isso que está acontecendo. São três puxando junto.
Agora o tamanho da audiência. Em cinco meses foram 20.096 visualizações de página e 2.077 visitantes únicos, medidos no nosso próprio banco, sem os meus acessos, sem localhost e sem bot.
Esse quadro separa as duas coisas, porque elas se confundem muito, e mostra onde essas visualizações aconteceram:

Eu comecei isso como um blog, viu. E o texto é a terceira coisa mais vista aqui. O que traz gente é resultado de torneio e posição no ranking. O conteúdo não parou, são 50 artigos publicados, metade em português e metade em inglês, com seis autores diferentes escrevendo, mas o dado é claro sobre o que abre a porta.
Agora eu preciso explicar uma coisa antes de te dar o próximo número, senão ele parece contradizer o de cima.
As 20.096 visualizações e os cliques de busca do Google não medem a mesma coisa. A maior parte de quem entra aqui já tem o link: veio do grupo do WhatsApp, veio do Instagram, ou digitou o endereço porque já sabia que o site existe. Busca do Google é só uma das portas, e é bem menor que a porta direta.
Só que ela é a única que traz gente que não me conhece. E é aí que fica interessante.
A TCMG já apareceu num resultado de busca do Google em 103 países. Cento e três.
E de novo eu vou separar as duas coisas, porque tem diferença entre aparecer e entrar. Nesses 103 o site apareceu na tela de alguém. Em 32 deles a pessoa clicou e entrou:
Brasil, 263 cliques
Estados Unidos, 64
Reino Unido, 15
Itália, 9
Alemanha, 5
E daí segue uma fila que passa por Austrália, México e Chile e termina na Mongólia, que teve exatamente uma impressão e um clique. Cem por cento de aproveitamento, e eu não sei quem é essa pessoa.
Dos 400 cliques de busca do período, 137 vieram de fora do Brasil. Um terço.
Do lado de dentro do site a conta bate com isso: 998 sessões abriram a versão em inglês, contra 1.285 em português. Quase metade.
Eu não precisei ficar imaginando o motivo, porque as buscas entregam: quase vinte desses cliques são gente procurando "bronzong lopunny" e variações do nome. Um artigo em inglês, sobre um deck que ninguém viu chegando antes do Mundial, é o que está trazendo o mundo pra cá.
Dentro do Brasil o GA4 mostra Belo Horizonte na frente com 579 usuários, e aí vem São Paulo com 185, Contagem com 61, Porto Alegre com 48, Rio com 42 e Betim com 40. Somando as cidades de Minas que eu consigo identificar na lista, dá 818 de 1.712 usuários. Quer dizer que mais da metade de quem lê a TCMG não é de Minas Gerais.
O tempo médio de engajamento por usuário ficou em 4 minutos e 58 segundos. Ninguém passa cinco minutos num site por acidente.
Onze anos, e a mesma primeira linha
Uma coisa que me pegou de surpresa enquanto eu escrevia este artigo.
Enquanto o site antigo estava no ar, eu também escrevia fora dele. Em novembro de 2015 eu assinava textos na Copag. Se você procurar "Wallysson Lima do Couto" ainda acha meus textos lá. E um deles, sobre um Lucario/Crobat que ganhou o Rio nas mãos do Henrique e Curitiba com o Pedro, abre assim:
"E aí, galera, como estão indo nos regionais?"
Onze anos depois, o artigo que você está lendo abriu com "Fala, galera. É o Wallysson aqui". É a mesma primeira linha, e eu não fiz de propósito.
Mudou uma coisa entre aquele texto e este. Em 2015 era tudo no papel. Decklist no papel, resultado no papel, e o que você lembrava do torneio, mais nada. Hoje eu escrevo um artigo e consigo linkar o torneio, o ranking, o jogador e a lista que ele jogou, tudo clicável. Depois de dez anos escrevendo sobre isso de caneta na mão, ver funcionando desse jeito é incrível.
O que eu tento fazer com conteúdo é a mesma coisa desde aquela época: comunidade mais forte, mais unida.
O que ainda não está de pé
Não vou te vender site perfeito, então segura duas verdades.
A primeira é a conta. O quadripack do campeão do ranking mensal sai do meu bolso. O booster do sorteio entre quem marca deck também. A Vespa TCG bancou o prêmio de um mês, e obrigado de verdade por isso. Nos outros, fui eu pagando. E pra mim isso não é problema, eu paguei porque quis e faria de novo, porque prêmio todo mês é o que faz o ranking parecer competição em vez de tabela bonita. Só que eu não vou fingir que essa conta escala. Prêmio melhor, prêmio pra mais gente, evento presencial: isso não sai do meu bolso.
A segunda é o metagame. Estamos em 63% das participações com deck marcado. É muito melhor do que eu esperava no primeiro ano, e ainda não é o suficiente, porque os 37% que faltam não somem por acaso: eles tendem a ser justo os decks que ninguém anotou, o que empurra a porcentagem na tela na direção errada. Minha meta pra Kanto é chegar em pelo menos 70%. Daí pra cima aquilo deixa de ser indício e passa a ser estatística.
As duas coisas dependem de gente, não de código.
Pra onde isso vai
Eu vou atrás de parceiros, e vou fazer isso do jeito certo: mostrando número real, do jeito que eles estão aqui neste artigo, e não número inflado. Um site que documentou 122 torneios e 424 jogadores em cinco meses tem valor pra quem vende carta em Minas. Se você é loja, distribuidora, marca, ou conhece alguém que seja, me chama. Prêmio maior e evento melhor passam por aí.
Do seu lado, três coisas que levam dois minutos cada e que mudam o site inteiro:
1. Cria sua conta e linka seu POP ID. É o que libera todo o resto: o seu histórico, o seu perfil e a marcação de deck.
2. Marca o deck que você jogou. Quem marca entra no sorteio do booster todo mês, então já tem prêmio no meio. E é o que leva a gente dos 63% pros 70%.
3. Manda a decklist, se você topar. Não é obrigatório e é mais trabalho, mas é o que transforma "Dragapult apareceu 40%" em "olha a lista que ganhou e o tech que ninguém tinha visto".
O motivo de verdade dos três é o que vem depois. Com deck marcado com consistência eu consigo te mostrar seus matchups: contra o que você ganha, contra o que você perde, e onde você está deixando ponto na mesa. A ideia é o site deixar de ser um lugar onde você confere resultado e virar uma ferramenta onde você vê sua evolução como jogador. Isso não tem como eu construir sozinho, porque os dados são vocês.
TCMG Champions
Agora a coisa que eu mais quero fazer.
Quando o ranking que começou hoje fechar, eu quero fazer o TCMG Champions: os 16 melhores do ranking numa chave de eliminação dupla, jogando pra decidir quem é o melhor.
Não tem data e não tem local. A Kanto Edition vai até 31 de agosto de 2027, então é pra depois disso, e eu vou correr atrás de parceria pra viabilizar. Mas eu quero deixar registrado hoje, no primeiro dia da temporada, porque agora tem um motivo a mais pra você querer estar no topo daqui. Não é só a tabela: é uma cadeira nessas 16.
A Kanto começou zerada. Quem fechou a Pokeball com 1284 e quem fechou com 1000 sentam na mesma linha de partida, porque o Elo reinicia pra todo mundo. Se você nunca apareceu num ranking, essa é a temporada pra começar.
Obrigado a quem jogou, a quem mandou arquivo, a quem abriu a loja no sábado, a quem sentou pra digitar decklist e a quem procurou a TCMG no Google.
E um obrigado separado pra quem escreveu aqui comigo nesses cinco meses: José Iuri, Guilherme Geber, Álvaro Miguelino, Tiago Marins e Alex Oliveira. Vocês assinaram 18 dos 50 artigos publicados. Eu comecei isso sozinho num desafio de trabalho e hoje tem mais cinco pessoas escrevendo, o que era a parte que eu menos esperava que fosse acontecer tão rápido.
Treze anos atrás eu e o Leozinho tentávamos montar o metagame do Brasil numa planilha, na mão, os dois sozinhos. Ontem esse site fechou uma temporada com 122 torneios e 424 jogadores dentro, e fez a conta toda enquanto eu dormia.
Eu já perdi um TCMG uma vez. Esse aqui eu não vou perder, e a diferença é que agora não sou só eu segurando ele.
