Fala meu povo, é o Guilherme Geber aqui, e hoje o papo é com um cara que me ajudou a melhorar de verdade como jogador: o Justin Newdorf, o Goomy35. Quem leu meu artigo sobre a minha própria jornada no TCG sabe do que eu estou falando. E quem acompanha o cenário mundial sabe quem ele é, mas pra quem ainda não conhece: Justin tem apenas 17 anos, está no segundo ano na categoria Master e já foi vice-campeão mundial em 2025, jogando de . Nessa temporada 2026, foi Top 4 no Special Event de Porto Rico, Top 3 no Regional de Indianapolis e Top 4 no NAIC, o que colocou ele entre os melhores do mundo no ranking de Championship Points da Play! Pokémon, chegando ao 15º global. Tudo isso enquanto ainda está no colégio, ou melhor, enquanto cursa faculdade de forma antecipada.
Além dos resultados presenciais, Justin é conhecido por dominar o ranked do TCG Live de um jeito que poucos conseguem, chegando consistentemente ao topo do ELO temporada após temporada. É o tipo de jogador que não separa o grind do digital dos resultados ao vivo, e as respostas dele aqui mostram bem por quê.
Aqui na TCMG Top Cut a gente segue nessa caça de sentar com os melhores jogadores do mundo pra entender como eles pensam. Já rolou com o James Kowalski, o Alloutblitzle, campeão do NAIC 2026, e agora foi a vez do Justin.
Tentei fugir das perguntas óbvias. Queria entender o que passa na cabeça de alguém que quase desistiu do jogo em 2019 e chegou à final do maior torneio do mundo seis anos depois. Acho que ele respondeu com uma honestidade que vale muito.
Espero que vocês curtam. Bora pra entrevista.
Sobre as origens
1. Você tem 10 anos de Pokémon TCG, o que te fez começar tão novo? Foi uma escolha sua ou alguém te introduziu ao jogo?
Fui introduzido ao jogo quando fui para um acampamento de verão aos 7 anos. Uma criança me deu uma carta de um Diglett e achei ela incrível. Meu pai sempre soube que eu era competitivo com jogos de cartas e quis que eu experimentasse. Duas semanas depois ele me deu o Kit de Treinador de Pikachu Libre e Suicune. Mesmo sendo apenas baralhos de 30 cartas jogando um contra o outro, eu adorei. Três semanas depois fui ao meu primeiro torneio local e fui pareado com Liam Halliburton, o Campeão Mundial Sênior de 2022 e Campeão Nacional Junior. Fui destruído, mas meu pai e eu aprendemos o jogo com o pai dele, o Brent. O Brent nos deu baralhos para testar, já que nenhum dos nossos era competitivo ou sequer legal. A gente nem usava sleeves nas cartas porque não sabia que precisava.
2. Quando você era criança jogando, você já imaginava que um dia estaria na final de um Worlds? Ou isso foi surgindo aos poucos?
Nunca imaginei, haha. No meu primeiro Worlds na categoria Júnior, em 2019, nem passei pro segundo dia. Eu sempre adorei jogar durante a pandemia e isso me motivou a continuar.
Sobre a vida fora do jogo
3. Quando você não está jogando ou estudando o meta, o que você faz? Existe uma versão do Justin que ninguém associaria ao Goomy35?
Sou estudante de Ensino Superior adiantado, cursando Administração no Montgomery College, em Maryland. Também ando muito de bicicleta, tento me manter em boa forma quando não estou treinando. Gosto de passar tempo com família e amigos. O Washington Wizards é meu time favorito, então torço por eles mesmo depois de uma temporada horrível. Estou animado para acompanhá-los mais esse ano e torço para que se saiam melhor.
4. Como é a reação de pessoas de fora do mundo TCG quando descobrem o que você faz? Escola, família, amigos, alguém já te olhou torto por isso?
No Ensino Médio eu tinha medo de contar sobre meu amor pelo jogo, ficava com receio de que as pessoas achassem estranho. Mas quando souberam do meu resultado no Worlds, não imaginava quantas pessoas achavam Pokémon legal. Até alunos da minha escola com quem nunca havia conversado vieram me parabenizar. Isso me fez arrepender de não ter falado sobre Pokémon antes. Minha família sempre me apoiou muito e é por causa deles que eu gosto tanto de jogar.
5. Pokémon já atrapalhou algo importante na sua vida, uma prova, um compromisso, um relacionamento? Ou você consegue equilibrar bem?
Geralmente consigo equilibrar. Tenho muito mais tempo livre desde que entrei no Ensino Superior. No Ensino Médio era bem mais difícil manter esse equilíbrio. Também cuido da minha saúde mental me exercitando e costumo dar uma pausa no ladder para resetar mentalmente e evitar o burnout.
Sobre competição e mentalidade
6. Na final do Mundial de 2025, você jogou de Dragapult ex contra a Gardevoir ex de Riley McKay, um matchup desfavorável. O que passa na cabeça de alguém na final do maior torneio do mundo sabendo que está no lado errado do matchup?
Honestamente, eu achava que o matchup era 50/50. Tentei montar um plano de jogo com onde eu tentaria usar o Budew nele até conseguir limpar o campo e ganhar na troca de prêmios. Também achava que quem fosse segundo teria vantagem. Acabei perdendo o flip e ele teve um começo muito melhor que o meu, mas a partida chegou a um ponto bem interessante. Basicamente ele precisou dar uma para encontrar uma energia e poder sair da situação de com Pólen (Budew) que eu havia armado, e infelizmente ele encontrou uma energia na Iono, o que selou o jogo para ele. Mas eu estava muito feliz só de estar na final. Havia perdido no Top 8 do Worlds duas vezes na categoria Sênior, então fiquei genuinamente eufórico no momento em que avancei para o Top 4 e garanti o troféu.

7. Você já teve vontade de largar tudo depois de uma derrota ruim? O que te faz voltar?
Estive perto de desistir durante o Campeonato Mundial de 2019. Falei para os meus pais: "Não quero participar do Worlds nunca mais." Sei que pode soar absurdo, mas era como eu me sentia depois de ser completamente dominado por todos os adversários que enfrentei na categoria Júnior. A pandemia me fez investir muito mais no jogo. As pessoas que conheci ao longo do caminho são o motivo pelo qual ainda jogo. As amizades que você faz nesse jogo são a minha razão de continuar no Pokémon TCG.
8. No Regional de Indianapolis 2026, você terminou em 3º lugar com Dragapult ex/Dusknoir, um deck que muita gente conhece bem pelo seu nome. Tem algum peso especial em jogar um arquétipo que as pessoas já associam a você?
Honestamente, senti que o formato estava bem diferente do pré-rotação, com muito mais variância, e se essa variância fosse a meu favor, seria um bom evento. Tinha apenas 10 partidas com a lista específica que joguei, então sabia que era uma jogada arriscada. Sempre soube que era super importante no mirror de Dragapult, por isso coloquei na minha lista. Acredito que se um jogador tem Crushing Hammer e o outro não, quem tem leva uma vantagem enorme.
9. Como você escolhe o deck que vai jogar num torneio? É uma decisão fria, pegar o que você acredita ser objetivamente o melhor do formato, ou tem espaço pra diversão, pra jogar o que você acha mais legal? Existe algum momento em que essas duas coisas entram em conflito?
Geralmente sempre jogo o que gosto. Por isso fiquei no Pult basicamente a temporada toda, exceto em Toronto, onde joguei de Garde (), trabalhei nesse baralho com o Campeão Mundial Riley McKay. Acho que jogar o que você domina é fundamental para ter resultados. Se eu tivesse mais partidas com a Garde, teria jogado de forma muito mais limpa. Mesmo que um deck não seja a melhor escolha, a quantidade de partidas que você tem com ele é essencial.
10. Olhando para a sua temporada 2026 como um todo (15º em Pittsburgh, Top 4 no Special de Porto Rico, 11º em Houston, Top 3 em Indianapolis e Top 4 no NAIC), tudo isso logo depois de ter chegado à final do Worlds 2025. Como você explica essa consistência? É talento, preparação, rotina de estudo, ou uma combinação que você consegue descrever?
Tive muito mais tempo livre esse ano por causa do programa de Ensino Superior Adiantado e sinto que usei isso a meu favor. Consegui focar em um único deck e jogar mais partidas com Dragapult, o que me permitiu enxergar mais linhas de jogo. Também estava super motivado para enfrentar os melhores jogadores na ranked do PTCGL. Um salve para todos que enfrentei em algum momento nessa temporada, vocês são o motivo do sucesso que tive.
Sobre o TCG Live
11. Você é conhecido por ter um desempenho absurdo no TCG Live, frequentemente chegando ao topo do ranking de ELO em diversas temporadas. O que te motiva a continuar escalando o ladder mesmo sendo já reconhecido no cenário presencial? Ladder e torneio presencial pedem habilidades diferentes ou é o mesmo jogo no fundo?
Sinto que jogar no Live é muito mais eficiente do que jogar presencialmente nos locais. Nos torneios locais, as pessoas geralmente jogam decks rogue em vez de decks meta. Na ladder do Live, por exemplo, você tem muito mais chance de enfrentar um deck de Dragapult do que em um torneio local. Acredito que se você dedicar seu tempo ao ladder em vez de jogar presencialmente, tem mais chance de ter sucesso nos grandes eventos. No geral, diria que as partidas presenciais e no PTCGL são a mesma coisa. O PTCGL obviamente tem alguns bugs, mas é o recurso mais valioso que temos. Presencialmente, tudo se resume ao gerenciamento de tempo, se você souber gerenciar bem o tempo, como saber a hora certa de dar scoop, vai se sair melhor.
