Fala, galera!
O Reinado Delta (Delta Reign, em inglês) chega no dia 6 de novembro, trazendo o Mega Rayquaza ex como grande destaque da coleção. Mas, enquanto esperamos o lançamento por aqui, no Japão essas cartas já estão sendo utilizadas desde o final de julho, o que nos permite ter uma ideia melhor do impacto delas no competitivo.
O Dragapult continua sendo um dos decks mais fortes do formato, e as novidades parecem ter beneficiado principalmente as construções de Mega Kangaskhan ex. O Talonflame já encontrou espaço em diferentes listas, o novo Stadium Lendário trouxe uma opção de disrupção interessante e algumas cartas que inicialmente não chamaram tanta atenção começaram a aparecer nos torneios.
Para esse top 5 do Reinado Delta, levei em consideração os resultados japoneses, o potencial das cartas e o quanto acredito que elas podem influenciar o nosso formato.
As imagens do Talonflame ex e da Special Vest são das versões japonesas, porque a versão em inglês dessas cartas só sai no lançamento. Assim que ela sair, eu troco as imagens aqui.
Vamos ao ranking!
Talonflame ex
Legendary Pyroduct
Aarune
Mega Rayquaza ex
Special Vest
5. Special Vest
A Special Vest é uma carta que pode ganhar bastante importância dependendo de como o metagame evoluir, principalmente depois da próxima rotação.
A Tool reduz em 60 o dano recebido de ataques de Mega Pokémon ex, desde que esteja ligada a um Pokémon que não seja Mega.
Pode parecer uma redução pequena, mas no Pokémon TCG sabemos como 10 ou 20 pontos de dano podem mudar completamente uma partida. Imagine então 60.
O Mega Excadrill ex é um bom exemplo. Com cinco Energias, ele consegue causar 330 de dano, suficiente para nocautear um Dragapult ex com seus 320 de HP. Com a Special Vest equipada, o Dragapult recebe apenas 270 e sobrevive com 50 de vida, desde que não tenha dano anterior.
Isso significa que o adversário pode precisar de mais um ataque para conseguir o nocaute.
E aqui entra uma das coisas mais importantes do competitivo: a prize race.
Muitas partidas são decididas pela quantidade de ataques que cada jogador precisa realizar para pegar seus seis prêmios. Se o adversário planejou vencer com dois nocautes e você consegue impedir um deles, pode ganhar o turno necessário para virar a partida.
Claro que sobreviver não significa automaticamente estar em vantagem. Ainda precisamos considerar o dano que já está na mesa, os recursos disponíveis e a capacidade de continuar atacando.
Contra Mega Rayquaza ex, por exemplo, a Special Vest também altera números importantes. O Rayquaza precisa de sete Energias de Fire e Lightning em campo para nocautear um Dragapult com 320 de HP. Com a Tool, passa a precisar de oito.
Mas a carta tem uma limitação bastante clara: ela não funciona contra ataques de Pokémon que não sejam Megas.
Na mirror de Dragapult, não ajuda. Contra atacantes como Talonflame, Raging Bolt e Ogerpon, também não oferece proteção.
Por isso, hoje eu não considero a Special Vest uma inclusão obrigatória. Ela aparece em algumas listas japonesas de Dragapult, Grimmsnarl e Zoroark, geralmente em uma única cópia, justamente para determinados matchups.
O que me faz colocar essa carta no top 5 é pensar um pouco mais à frente.
Com a próxima rotação, podemos ter um formato ainda mais concentrado em Mega Pokémon ex. Se isso acontecer, uma Tool capaz de quebrar números importantes de dano pode se tornar muito mais relevante.
Não dá para afirmar que esse será o cenário, mas é uma possibilidade que merece atenção.
Por enquanto, deixo a Special Vest em quinto. É uma carta situacional hoje, mas com potencial para crescer bastante dependendo dos próximos meses.
4. Mega Rayquaza ex

O Mega Rayquaza era uma das cartas que mais prometiam quando o Reinado Delta foi anunciado.
Seu ataque causa 50 de dano para cada Energia de Fire e Lightning ligada aos seus Pokémon, permitindo alcançar números bastante altos sem precisar concentrar todas as Energias no próprio Rayquaza.
Além disso, sua habilidade permite olhar as quatro primeiras cartas do baralho quando ele entra no Banco e ligar a ele uma Energia básica encontrada entre elas.
No começo, o deck chamou bastante atenção no Japão, mas acabou perdendo espaço conforme o formato evoluiu.
Isso não significa que ele seja ruim. O Rayquaza conseguiu um 13º e um 17º lugar no Champions League de Yokohama, mostrando que tem condições de competir.
O que me incomoda é a quantidade de recursos necessários para conseguir os nocautes mais importantes.
Contra Dragapult ex, por exemplo, precisamos de sete Energias de Fire e Lightning em campo para alcançar 350 de dano e conseguir o nocaute em um único ataque.
É possível, principalmente com a ajuda do Ethan's Ho-Oh ex e de cartas como Energy Switch. Mas nem sempre conseguimos manter tantas Energias em campo, especialmente contra decks que dão nocaute muito rápido e limpam suas Energias.
O próprio Dragapult consegue distribuir dano enquanto prepara seus próximos atacantes, dificultando a vida dos Pokémon que estão carregando as Energias.
Também não gosto muito dos 280 de HP do Rayquaza para um Pokémon que entrega três prêmios. Se o adversário consegue derrubar dois Megas, a partida acaba, então precisamos aproveitar muito bem cada ataque.
As listas japonesas tentam contornar isso utilizando Mega Kangaskhan ex, Talonflame ex e Latias ex, oferecendo outras opções de ataque e melhorando a movimentação dos Pokémon.
Uma versão de Rayquaza ficou em segundo lugar em uma City League de Aichi utilizando quatro Kangaskhan, dois Rayquaza, dois Talonflame e dois Ho-Oh ex, além de 15 Energias básicas.
É uma construção interessante, mas também mostra quanto espaço o deck precisa dedicar para fazer o Rayquaza funcionar.
Acho que ele pode continuar conseguindo bons resultados. Só não estou convencido de que será um dos principais decks do formato.
Por enquanto, fica na quarta posição.
3. Aarune

O Aarune é uma das cartas que mais gostei do Reinado Delta, principalmente pela possibilidade de buscar Estádios.
Seu efeito permite procurar até três cartas no baralho, em qualquer combinação de Supporters e Stadiums, e colocá-las na mão.
É uma busca muito interessante, especialmente em um formato em que os Estádios podem decidir partidas.
Um exemplo é o próprio Legendary Pyroduct, que veremos na segunda posição. Como precisamos encontrar as duas metades para colocá-lo em jogo, o Aarune consegue buscar ambas com uma única carta. E ainda sobra uma busca para garantir uma Supporter para o próximo turno.
Mas eu não limitaria o Aarune apenas a essa interação.
Pense em quantas vezes precisamos encontrar um Stadium específico para responder ao adversário.
Contra decks que dependem de habilidades, por exemplo, encontrar uma Team Rocket's Watchtower no momento certo pode mudar bastante a partida. O mesmo vale para remover um Stadium adversário que esteja prejudicando sua estratégia.
O Aarune oferece essa possibilidade sem depender de comprar naturalmente a carta que precisamos.
Também gosto da flexibilidade para preparar os próximos turnos. Podemos buscar uma Supporter de compra, uma Boss's Orders ou alguma outra carta que faça parte do plano de jogo.
Mas existe uma diferença importante entre encontrar essas cartas e conseguir utilizá-las.
Como o Aarune já consome nossa Supporter do turno, normalmente teremos que esperar para aproveitar as Supporters buscadas. E, se o adversário utilizar alguma forma de disrupção de mão, podemos acabar perdendo os recursos que acabamos de encontrar.
Além disso, em uma situação na qual precisamos de Pokémon, Energias ou Itens imediatamente, o Aarune pode não resolver nosso problema.
Mesmo com essas limitações, vejo bastante potencial.
No Japão, ele já apareceu em listas de Mega Lucario e outras estratégias. Não significa que seja obrigatório nesses decks, mas mostra que a carta pode ter espaço fora das construções com Legendary Pyroduct.
E acho que esse é justamente seu maior diferencial.
O Aarune não depende de um Pokémon específico para funcionar. Seu valor está nas opções de Supporters e Stadiums que temos disponíveis, algo que pode continuar relevante conforme novas coleções forem lançadas.
Não acredito que veremos quatro cópias em todos os decks, mas consigo imaginar diferentes estratégias utilizando uma ou duas.
Por isso, fica em terceiro no meu ranking.
2. Legendary Pyroduct

O Legendary Pyroduct é uma das cartas que mais podem influenciar a maneira como os jogadores montam suas listas.
É um Stadium dividido em duas metades, que precisam estar juntas na mão para serem colocadas em jogo. Enquanto ele estiver em campo, os Pokémon de Evolução dos dois jogadores ficam sem suas habilidades.
E aqui temos um efeito bastante relevante contra o Dragapult.
Boa parte da consistência do deck vem das habilidades de Drakloak, que permitem encontrar as cartas necessárias para continuar desenvolvendo a partida. Dependendo da versão, também temos Dudunsparce e Dusknoir, que são outras peças importantes.
Com o Legendary Pyroduct em campo, todas essas habilidades deixam de funcionar.
Mas não acredito que seja uma carta capaz de travar completamente o Dragapult.
O deck ainda consegue utilizar as habilidades de Pokémon Básicos, como Fezandipiti ex e Meowth ex, e qualquer Stadium que o adversário coloque em jogo remove o Legendary Pyroduct.
O que realmente me interessa é a combinação com cartas que atrapalham a mão do oponente.
Algumas listas japonesas já utilizam Judge, Unfair Stamp e Special Red Card junto do novo Stadium.
Isso significa que podemos reduzir a mão do adversário enquanto impedimos que ele utilize os Drakloak para encontrar os recursos que perdeu.
Contra Dragapult, atrasar um turno pode fazer bastante diferença, principalmente quando conseguimos aproveitar esse tempo para preparar um nocaute importante.
O problema é conseguir executar essa estratégia de maneira consistente.
Para utilizar duas cópias completas do Stadium, precisamos reservar quatro espaços na lista. Também precisamos encontrar as duas metades e, de preferência, ter alguma forma de atrapalhar a mão adversária no mesmo turno.
É bastante investimento para uma carta que pode ser removida por qualquer outro Stadium.
Também vejo ele jogando junto com Noctowl, que pode buscar duas cartas de Trainer quando você tem um Pokémon Tera em jogo, ou seja, as duas metades do Stadium de uma vez. Isso pode ficar bem maneiro num slop box da vida.
E não é só o Dragapult que sofre. O Zoroark também tem problemas se tomar o Legendary Pyroduct, porque a habilidade de compra dele para de funcionar.
Se o seu deck de evolução estiver tendo problemas com ele, é só aumentar a quantidade de Stadiums na lista.
Não acho que ele seja suficiente para tirar o Dragapult do topo. Mas considero uma carta forte, principalmente em decks que utilizam Pokémon Básicos e conseguem aproveitar a disrupção sem prejudicar suas próprias habilidades.
Por isso fica em segundo lugar.
1. Talonflame ex
Pra mim, o Talonflame ex é a melhor carta do Reinado Delta.
Sua habilidade permite colocá-lo diretamente da mão no Banco, sem precisar evoluir, desde que tenhamos um Mega Pokémon ex Colorless em jogo.
E o Mega Kangaskhan ex acabou sendo o parceiro ideal.
O Talonflame tem 280 de HP, recuo gratuito e um ataque que causa 150 de dano enquanto busca duas cartas quaisquer do baralho.
Olhando apenas para o ataque, já temos um efeito interessante. Mas acho que o principal diferencial da carta é a maneira como ela se encaixa nas construções de Kangaskhan.
Esses decks utilizam vários Megas que entregam três prêmios quando são nocauteados. Ter um atacante de dois prêmios pode ser bastante importante, principalmente em partidas nas quais não queremos oferecer ao adversário a possibilidade de ganhar levando apenas dois nocautes.
O Talonflame consegue atacar, pressionar Pokémon menores e encontrar recursos para preparar os próximos turnos.
E tudo isso sem precisar utilizar Fletchling ou Fletchinder.
Uma coisa que gostei bastante nas listas japonesas é que nem sempre precisamos de um pacote específico para fazer essa carta funcionar.
Nas versões com Rayquaza ou Ogerpon, por exemplo, o Talonflame pode aproveitar as Energias básicas e os Energy Switch que já fazem parte da estratégia.
O Kangaskhan já está na lista, então não precisamos gastar tantos espaços extras apenas para habilitar a entrada do Talonflame em campo.
Em decks de evolução, a situação é diferente.
Existe uma combinação interessante utilizando Hilda e Ignition Energy, que permite encontrar o Talonflame, colocá-lo em campo e pagar seu ataque rapidamente.
Essa jogada também consegue funcionar contra Budew, já que não depende da utilização de Itens.
Mas não acho que isso significa que devemos colocar Talonflame em qualquer deck.
Já nos decks que utilizam Kangaskhan naturalmente, o Talonflame parece muito mais interessante.
Também gosto dos seus 280 de HP. O Phantom Dive do Dragapult causa 200 de dano no Ativo, então, sem dano prévio ou alguma outra forma de aumentar o dano, não consegue nocautear o Talonflame sozinho.
E o recuo gratuito facilita bastante a movimentação dos atacantes ao longo da partida.
Claro que ele tem limitações.
150 de dano não é suficiente para nocautear muitos dos principais Pokémon ex do formato, e as duas cartas buscadas pelo ataque ainda podem ser perdidas para um Judge ou outra forma de disrupção.
Além disso, você pode acabar entregando dois prêmios para conseguir apenas um, dependendo de como utilizar a carta.
Mas acho que as vantagens compensam, principalmente nas construções que já utilizam Mega Kangaskhan.
O Talonflame oferece mais opções de ataque, melhora o acesso aos recursos do baralho e já está mostrando seu valor nos resultados japoneses.
Não acredito que seja uma carta obrigatória em todos os decks, mas, entre as novidades do Reinado Delta, é a que mais me convenceu até agora.
Por isso fica em primeiro.
Considerações finais
O Reinado Delta trouxe cartas interessantes, mas não acredito que veremos uma mudança completa no metagame apenas por causa dessa coleção.
O Dragapult continua sendo uma das principais forças do formato, enquanto as construções de Mega Kangaskhan receberam novas ferramentas para disputar espaço.
O Talonflame é a carta que mais me chama a atenção, tanto pelo que já mostrou no Japão quanto pela versatilidade que oferece. O Legendary Pyroduct também merece respeito, principalmente se os decks de evolução continuarem dominando os torneios.
O Aarune pode ganhar espaço pela facilidade de encontrar Stadiums e preparar os próximos turnos, enquanto a Special Vest é uma carta que eu ficaria de olho pensando no futuro do formato, especialmente se os Megas ganharem ainda mais espaço depois da rotação.
Entre as cartas que ficaram de fora, quero acompanhar o Azurill e o Cacturne, que possuem efeitos interessantes, mas ainda precisam mostrar mais resultados para justificar um lugar no ranking.
Também vale lembrar que os resultados japoneses são uma referência, não uma garantia de que teremos exatamente o mesmo formato no Brasil.
Por enquanto, essas são as cinco cartas que considero mais interessantes do Reinado Delta.
E vocês, concordam com o ranking? Tem alguma carta que deixei de fora e que merece mais atenção? Deixa o seu comentário aqui embaixo pra gente debater.
Até a próxima!

